Foi por isso com alguma estranheza quando me apercebi que ao fim de 3 semanas em Macau tive que ir ao hospital 2 vezes em apenas 3 dias... mas calma pois fui ao hospital mas para ajudar 2 amigos da residência que necessitaram de ir lá... sim porque aqui o Cigano felizmente tem estado bem de saúde apesar de não ter tido oportunidade ultimamente para praticar qualquer tipo de desporto.
Passo a explicar, estava a regressar da Taipa onde tinha ido jantar com o Karl e o Marcel quando o meu telemóvel começa a tocar... era o Gardete... atendo e ele começa a falar num tom muito preocupado que precisa de ir ao hospital e precisa de alguém que explique em Inglês os seus sintomas já que o seu Inglês não é suficiente para explicar esse tipo de situações. Acelero o passo enquanto acabo o meu sundae rapidamente e chego à residência. O Gardete já está à minha espera na entrada, dobrado sobre os joelhos como a contorcer-se com dores... está com fortes dores de barriga e não aguenta mais a dor. Despeço-me do Karl e do Marcel e começo a ir com o Gardete para o Casino Greek Mythology onde há uma praça de táxis. Enquanto esperamos por um táxi aproveito para ir levantar dinheiro.

O Gardete senta-se no banco da frente do táxi e eu, enquanto abro a porta para me sentar no banco de trás apercebo-me que o taxista começa a falar com outro taxista que está na fila dos táxis e começa a rir-se também de um modo descontrolado. Já dentro do táxi, o taxista entra ainda a rir-se de um modo bastante divertido. O Gardete aperta o cinto enquanto diz "Digo-te que estou com dores e tenho que ir ao Hospital e começas a rir-te. Tem cá uma graça, meu filho da p%#&!". A viagem até ao hospital foram cerca de 5 minutos (começo a perceber que Macau é mesmo pequeno) mas foi complicada pois tive que fazer um esforço enorme para não me rir com o comentário do Gardete para que ele não pensasse que estava a fazer companhia ao taxista.
Chegados ao hospital vamos ao balcão de recepção, falo com o empregado em Inglês e ele pede para o Gardete preencher os seus dados pessoais e mostrar o passaporte e visto. Diz depois para aguardarmos na sala de espera até que o médico o chame. Passado 5 minutos ouve-se o nome do Gardete nos altifalantes. Entra numa sala pequena, onde esta uma médica sentada. Começa a perguntar o que ele está a sentir. O Gardete vai descrevendo-me como se sente enquanto eu traduzo para Inglês e digo à médica. Ela toma uns apontamentos e manda-nos aguardar de novo na sala de espera.

Passado dois dias, após o jantar fui ao quarto do Marcel e do Karl para trocar umas fotos do Grande Prémio de Macau com o Marcel. Chego ao quarto e o Karl está com o Skype ligado, com um ar preocupado e à espera que o atendem. Está a telefonar para o número de assistência médica da Suécia. Passado uns minutos começa a falar em Sueco com uma médica e a descrever-lhe como se está a sentir. Tem uma dor na zona à volta do coração e o seu braço esquerdo está dormente. A médica diz-lhe que tendo em conta a zona afectada o melhor é dirigir-se ao hospital para ter a certeza que está tudo bem.
O Karl ao desligar o Skype de imediato me pergunta onde fica o Hospital e o que é necessário para ser atendido nas urgências. Explico-lhe detalhadamente quais os procedimentos que realizei quando há dois dias atrás tinha ido lá com o Gardete. Acabada a explicação o Karl fica a olhar para mim calado... digo-lhe "OK, vamos andando!". Enquanto nos dirigimos para o táxi perto do Casino Greek Mythology. Explico-lhe que se o taxista não souber falar Inglês temos que representar um pouco para ele perceber que temos que ir ao hospital para ser visto por um médico.

Após os mesmo procedimentos, o Karl é visto pela médica que lhe diz para esperar. O Karl não soltou palavrões enquanto diziam nomes Chineses ao altifalante durante uma hora e meia até porque para perceber um Chinês a dizer Kallen Rydberg exige uma concentração máxima. Durante esse tempo tentei falar com ele para ver se o distraia e não stressava mais com aquela dor incomodativa e preocupante. Falamos de tudo um pouco. Desde Macau, passando pela Europa, os estudos de cada um, as políticas da Suécia e Portugal, a hora e meia acabou por passar sem se dar por isso. O método do hospital é bastante eficaz pois após esperas de hora e hora e meia qualquer dor desde que não seja totalmente grave acaba por passar. Contudo o Karl lá foi para explicar o que estava a sentir ou, nesta altura, tinha sentido.
Não posso deixar de referir o pormenor mais curioso e que marca a diferença entre um hospital Português e o hospital São Januário de Macau. Ao entrarmos no hospital é nos fornecido uma máscara daquelas habitualmente utilizadas pelos médicos e enfermeiros para diminuir ao máximo o perigo de contágio entre os pacientes. É uma prevenção que faz todo o sentido mas ao mesmo tempo faz nos sentir que podemos estar numa situação mais preocupante do que na realidade é. Para terem uma ideia do aspecto que se tem com aquela máscara na cara, vou fazer algo que não pretendia fazer neste blog que é mostrar parte do meu belo rosto. Aqui vai uma foto para terem uma noção.
Óbvio que sendo noite e estando dentro de um edifício, não levei comigo o chapéu e os óculos de sol mas se soubesse que combinavam tão bem com a máscara talvez tivesse pensado duas vezes antes ir para o hospital.

2 comentários:
Cigano, meu amigo, se é verdade que "homem prevenido vale por 1 e 1/2", à segunda vez que foste ao hospital já deverias ter levado os adereços adequados.
Quanto ao teatro, nada que me espante: desde que fizeste de anjo no Auto da Barca do Inferno que eu descobri esse teu talento para papeis exigentes!
A propósito: da próxima vez, leva um papel com "医院" escrito, pode ser que os teus amigos enfermos não necessitem de sujeitar-se a tamanha encenação....
Já só falta uma dúzia de dias!!!
Agora falta muito menos e a Belynha merece um Óscar pela dedicação ao blogue e ao amigo em terras do Oriente. Admirei-lhe a verve, o comentário oportuno e a alegria da comunhão.
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