quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Hábitos

Todas as culturas têm os seus hábitos e por muito que se respeite esses hábitos isso não quer dizer que se tenha que os aceitar ou compreender. Em Macau há certos hábitos que nunca irei aceitar enquanto aqui estiver. Vou enunciá-los por ordem crescente de nojice.

Palitos - Essencial em qualquer mesa de restaurante tal e qual os pauzinhos, os talheres, o sal ou a pimenta. No fim de cada refeição continuam a conversar e entretanto sacam de um palito, com a mão esquerda aberta e todos os dedos esticados e juntos excepto o polegar que fica esticado mas perpendicular aos restantes dedos, encostam a mão esquerda à cara, entre o nariz e o lábio superior, de modo a que a mão direita possa levar o palito a todos os espaços entre os dentes. Para quê esperar pelo fim da conversa e ir à casa de banho fazer isso? Nada disso! Faz-se logo ali no momento para que os outros possam contar quantos pedaços de comida ficaram entalados entre os dentes. É informação preciosa!

Unhacas - Tal como o Português macho que habita na tasca do seu bairro, também o Chinês trabalhador tem a sua estimada unhaca. Com mais de 1cm de comprimento para além do limite razoável, a unhaca encontra-se bem estimada e fortalecida o suficiente para atingir o fundo de qualquer fenda ou pequeno espaço entre dois objectos. A prova de que o trabalhador Chinês é mais aplicado do que o Português é que a unhaca não se encontra apenas no dedo mindinho mas também no polegar para que deste modo se tenha uma pinça improvisada mas eficaz e sempre necessária para qualquer urgência ou imprevisto.

Cuspir - Não há hesitações, se se puxou de uma escarreta bem verdinha e pegajosa, há que expulsá-la o mais rápido possível e nem vale a pena ir à casa de banho ou pegar num lenço de papel. O que mais impressiona são os segundos de silêncio e concentração antes de puxar a escarreta. Fazem uma expressão com a cara e um som que mais parece que estão a tentar arrancar um pedaço da alma.
Não interessa se estão sozinhos ou rodeados de pessoas pois quando a escarreta se encontra na língua, depressa é projectada para o chão mesmo que alguém se encontre à frente. Isso já me aconteceu e senti-me o Sonic a fugir às bolas de fogo atiradas pelo Dr. Robotnik.
A pior foi quando ia no corredor do piso 10 da residência e antes da curva comecei a ouvir os sons... puxou... preparou... ZÁS! já está!... parei e vejo o estudante Chinês a fazer a curva. Assim que ele passa por mim, não houve que hesitar, ponho-me em bicos de pés, começo a dar passadas largas e sempre a olhar para o chão do corredor para evitar pontos brilhantes até chegar ao quarto.
Os caixotes de lixo à volta do Wynn estão divididos, uma metade tem gravilha para depositar as cinzas do tabaco e a outra metade é um buraco para depositar o lixo... eu acho que aquilo serve mais como cesto de basquetebol para os Chineses praticarem a sua pontaria...

Arrotar - O mais comum mas ao mesmo tempo o mais mortífero. Assiste-se ao fenómeno com mais facilidade em qualquer restaurante ou local onde se possa comer. Homem ou mulher, não interessa, e por vezes chega a parecer que a comunicação é feita por arrotos tal é o volume. Se um começa, os outros acabam, quase como uma orquestra. No fim não pedem por aplausos mas a verdade é que também não pedem licença, perdão ou o que quer que seja. Também ocorrem uns segundos de silêncio e concentração antes de o acto que resulta numa expressão facial como se estivessem, desta vez, a expulsar um espírito maligno de dentro de si.
O pior é que isto não acontece apenas à mesa enquanto se come, pode acontecer no sítio menos esperado como me aconteceu quando estava na casa de banho do Wynn, frente a um urinol, prestes a ter aquela sensação de alívio, quando um dos muitos dealers chega ao urinol ao lado do meu e solta um arroto bem sonoro... escusado será dizer que não consegui acabar aquilo que estava prestes a iniciar e passei o resto do dia com a bexiga desregulada.
Mas se acham que é azar apanhar um gajo que arrota no urinol ao lado do nosso no meio de tantos urinóis, imaginem então se estão a jogar futebol de 5 e o gajo da equipa adversária que decide fazer-vos uma marcação homem a homem é provavelmente dos gajos de Macau que mais arrotos dá no espaço de uma hora. Sentia-o a respirar nas minhas costas quando de repente... ZÁS!... sustenho a respiração e começo a correr, a tentar fugir dele e ele a correr atrás de mim a pensar que me estou a desmarcar... nojento, no mínimo nojento!

2 comentários:

Belinha disse...

A que mais me impressionou foi a da pinça de unhas! que porcaria!!!

Decididamente, não colocaria essas nojices na mesma ordem do que tu. Mas que é tudo horrível, lá isso é!

Vê lá o bem que espécie de herança cultural os portugueses deixaram...

Unknown disse...

Excelente este post!!! Fartei-me de rir!!
Isso da unhaca já tinha reparado nos chineses de cá... :P No mínimo nojento!!
Agora a cena dos arrotos é fenomenal!! :P hihihihihi


Bjs Cat